Portanto, uma vez que Cristo sofreu corporalmente, armem-se também do mesmo pensamento, pois aquele que sofreu em seu corpo rompeu com o pecado, para que, no tempo que lhe resta, não viva mais para satisfazer os maus desejos humanos, mas sim para fazer a vontade de Deus. (I Pedro 4:1-2)
A relação do homem com o corpo sempre foi crítica, de conflito, de tabu. Uns defendiam o ascetismo total, outro a liberalidade total. Uns porque o corpo era bom, outros porque era mau.
A relação que Cristo estabelece com o corpo, porém, é bem diferente. E ele até expõe uma crítica aos religiosos:
"Pois veio João Batista, que jejua e não bebe vinho, e vocês dizem: 'Ele tem demônio'. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e vocês dizem: 'Aí está um comilão e beberrão, amigo de publicanos e "pecadores"'. Mas a sabedoria é comprovada por todos os seus discípulos." (Lucas 7:33-34)
Cristo ao mesmo tempo que bebia vinho, não chegava a se embriagar. Ao mesmo tempo que comia com liberdade, não se empanturrava. Ele sabia que a comida era feita para o corpo, mas não o corpo para a comida. Sabia que tudo podemos, mas nem tudo nos convém - o que Paulo falaria posteriormente.
Sabia também que a carne nos encaminha para a morte e que, portanto, precisa ser negada e limitada em seus desejos. Porque, ou o corpo nos é sujeito, ou somos sujeitos a ele.
Pedro, então, nos desafia a armarmo-nos de uma disposição ao sofrimento do corpo. Porque negar-lhe a autoridade sobre nossas decisões implica em dor, em gritos mentais de revolta. Os abstinentes de vícios estão mais habituados com isso. Já viu um fumante tentando parar de fumar?
Temos de estar dispostos a enfrentar isso contra nosso comodismo, nossa gula, nosso sedentarismo (e não estou fazendo apologia à atividade física), nossas compulsões - aqueles desejos que nunca negamos. Pois quando não vivemos mais para satisfazer os desejos humanos, mas para fazer a vontade de Deus, exercemos nossa liberdade em Cristo, que rompeu a dominação do pecado sobre nós, ao não se sujeitar a ele em nada. E isso, claro, O levou à cruz. Esse é o caminho que também escolhemos.
Bjs e abs,
Gui.
Guilherme Ribeiro
ethmos@gmail.com