Outra parte [das sementes] caiu entre espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas, de forma que ela não deu fruto. Outra ainda caiu em boa terra, germinou, cresceu e deu boa colheita, a trinta, sessenta e até cem por um. (Marcos 4:7-8)
Os biólogos que me corrijam mas, pelo que sei, as plantas que tem espinhos são naturais de regiões secas. É uma estratégia genética para não perder água pela evaporação - o que aconteceria se fossem folhas em vez de espinhos.
Jesus não deixou explícito aqui, mas está falando de um ambiente de escassez de recursos - de água, pelo menos. E que a semente caiu nesse ambiente de falta. Em que já havia plantas (projetos, empreendimentos) disputando por esses parcos recursos. De modo que, a semente até cresceu, mas foi sufocada por esses outros projetos e não deu fruto.
Eu me lembro quando estive no deserto do Atacama e saí pra andar com amigos (e apenas uma garrafa de 1,5L). Estávamos a 10km da cidade, e eu parei de prestar atenção na paisagem extasiante, para prestar atenção na garrafa, que estava se esvaziando. Eu parei de desfrutar daquele momento raro, porque estava preocupado com os recursos escassos. Comecei a calcular quanto tempo ainda teríamos água. Comecei a temer que novas pessoas se juntassem ao grupo. Comecei a pensar em mim.
Quando as preocupações de uma vida escassa tomam conta de nós, paramos de frutificar. Porque o objetivo do evangelho (a semente), é revolver nossas estruturas sedimentadas (terra), e transformar esses elementos em fruto para abençoar os outros. Se eu estou preocupado comigo mesmo, não posso dar fruto. Se não dou fruto, o evangelho não se completou em mim. Foi sufocado pelas minhas preocupações.
A boa terra, no entanto, frutifica a cem por um. Porque se deixou ser trabalhada pelo Evangelho. Nosso único esforço é descansar no caráter do agricultor e no DNA dessa semente.
Bjs e abs,
Gui.
Outras ainda, como a semente lançada entre espinhos, ouvem a palavra; mas, quando chegam as preocupações desta vida, o engano das riquezas e os anseios por outras coisas sufocam a palavra, tornando-a infrutífera. Outras pessoas são como a semente lançada em boa terra: ouvem a palavra, aceitam-na e dão uma colheita de trinta, sessenta e até cem por um. (Marcos 4:18-20)
Guilherme Ribeiro
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