Quando lemos o evangelho, temos duas direções de oração. Por um lado, a oração comum: "Também lhes digo que se dois de vocês concordarem na terra em qualquer assunto sobre o qual pedirem, isso lhes será feito por meu Pai que está nos céus." (Mateus 18:19). Por outro, a oração pessoal: "Mas quando você orar, vá para o seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará." (Mateus 6:6).
Não se trata de contradição, pelo contrário: esses dois modos de orar são complementares. A verdadeira devoção pessoal resulta no encontro e na comunhão, e a verdadeira devoção comunitária desperta o desejo de criar um espaço interior e pessoal diante de Deus.
A oração era parte do dia-a-dia de Jesus Cristo; seu coração cheio de amor desejava a companhia e intimidade do Pai.
Reduzimos nossa vida de oração às petições. É comum numa reunião o dirigente perguntar: "Quais são os pedidos?". Certamente é importante suplicar e interceder, só que mais importante ainda é abrir um espaço em nosso coração silencioso para acolher a misteriosa presença que vem nos visitar e falar conosco. É a presença divina que intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Quando visitados pelo Espírito, deixamos de pedir e nossa oração se move para a gratidão, a confissão e a consagração.
Devocionários ajudam a orar, e cada um encontra a maneira, o local, a frequência, o horário e a posição mais adequada para expressar seus afetos e abrir seus coração, suas alegrias e tristezas. Muitas vezes tentamos imitar outros ou descobrir um manual que nos ensine a orar.
No entanto, a oração é uma relação pessoal de amizade com Deus. Não cabe num molde para ser reproduzida. É pessoal, espontânea e transformadora.
Não oramos para liquidar problemas de forma mágica. Oração é a prática da paciência. Situações difíceis, às vezes, não se resolvem, mas quando oramos, somos transformados. Nós nos consagramos a Deus e somos santificados de modo que, em certas ocasiões, não é a circunstância que muda, mas nosso olhar.
Deus nos ama de uma maneira incondicional e conhece o mais profundo do nosso ser. Talvez você esteja se perguntando: "Como dirigir a oração àquele que conhece todos os segredos, nos ama incondicionalmente, sabe o que se passa no mais profundo do meu coração?". Diante do Senhor podemos nos abrir, dizer quem realmente somos, confessar nossos pecados e torpezas, sem máscaras, sem representações.
A verdadeira vida de oração é pessoal. Ela conta a história da vida, é afetiva, toca os sentimentos, é transformadora, muda o olhar, é movida pela saudade, e não pela ansiedade.
Pr. Osmar Ludovico
(Extraído do livro "Meditatio")
Comece a orar agora mesmo. Não tenha medo de falar para Deus tudo o quê você sente e pensa. Deus te ama exatamente como você é. Não há nada que você possa falar para Deus que o fará ficar surpreso com a sua atitude, ou, escandalizado com o seu pior segredo. Isso é libertador. Usufrua dessa liberdade de ser quem você é diante de Deus, e através da oração, deixe Deus transformar a sua vida.