Pois recebi do Senhor o que também lhes entreguei: Que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim. (I Coríntios 11:23-24)
Quando estava nos Lençóis Maranhenses fiquei encantado olhando o vento apagando os desenhos que eu tinha feito na areia. Os traços mais fortes resistiam um pouco mais. Porém, os detalhes mais finos eram rapidamente desmanchados pelo vento. A única chance de ter algo marcado na areia seria se eu repetidamente ficasse reforçando as marcas.
Os gregos falavam que o tempo a tudo apaga. Eu acredito que, assim como o vento, apaga os traços mais fracos, enquanto os mais profundos persistem um pouco mais.
Tenho visto algumas pessoas rememorando e reforçando as marcas profundas dos traumas que viveram, crendo que o tempo vai apagar essas marcas algum momento. Mas o que acontece é que, por estas serem sempre reforçadas, o tempo apaga todas as outras, e só o que sobra são as marcas da dor.
O profeta Jeremias, lamentando sobre o desastre que se abateu sobre Israel escreveu: Quero trazer à memória aquilo que me dá esperança. E Jesus instituiu como indispensável a lembrança frequente do sacrifício que nos trouxe a vida e a paz, que é o partir do pão e o repartir o vinho entre os que se reunem sob seu nome.
Pense bem nas marcas que você está reforçando mediante as lembranças que ocupam seu coração. Pode ser que aquelas marcas que te dariam esperança estejam se desmanchando enquanto você se ocupa em reforçar as marcas da sua dor.
Bjs e abs,
Gui.