É doloroso ver irmãos sofrendo. Quanto mais doloroso, mais sabemos que estamos vivos, que o coração ainda pulsa, que não nos amortecemos por inteiro frente à barbárie da espécie humana.
Curiosamente, o rei mais sábio da história disse que é melhor estar na casa do luto, que na casa do riso, porque na do luto encaramos o fim (e a finalidade) de toda vida.
Quando sentimos o cheiro repugnante da morte tão perto de nós, podemos refletir sobre a vida que temos vivido, ou podemos nos voltar à embriaguez do divertimento vazio.
Segundo John Piper, "a morte é uma intromissão estranha no bom mundo de Deus, e não faz parte nem do seu propósito original, nem do seu propósito final". Graças ao seu amor, não faz parte do seu propósito final, porque a morte é, segundo a Palavra de Deus, o último inimigo a ser destruído. Já foi vencida, porque ela não conseguiu deter o Homem Perfeito, mas ainda não foi destruída, por isso, até Jesus ficou extremamente transtornado frente à morte de um amigo querido.
A morte tira o sentido de tudo. Assim como uma casa construída num terreno arenoso se torna inútil quando desaba, a vida de um homem que viveu para si mesmo se torna inútil quando ele morre.
Mas nós convivemos com outra realidade. Uma realidade intangível, inexplicável, e inegável. A realidade que não se vê. É nessa que construímos nossa casa, nossa vida.
Porque essa realidade não desaba, é eterna, nossa vida volta a ter utilidade. Então, não mais vivemos para nós mesmos, mas para aquele que nos resgatou dessa realidade perecível e nos deu uma garantia insuperável de que em breve seremos revestidos pela incorruptibilidade, de modo que o maior dano que a morte, a horrível morte, pode nos fazer, é nos devolver ao Criador.
Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno. 2 Coríntios 4:18
